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1) Qual é o seu nome?

Luiz Eduardo Macedo

2) Onde nasceu?

Poços de Caldas, Minas Gerais, Brazil.

3) Onde mora?

Moro em São Paulo..

4. A sua historia musical: Quando você se tornou interessado em música?

Tenho dois irmãos q me influenciaram muito: o William tocava guitarra e cantava em bandas de baile, e o Arlei tocava trompete com a banda do Colégio Marista. Eu imitei os dois, acabei tocando guitarra e trompete. Ter tocado trompete na banda da escola acabou me levando já em São Paulo pra Escola Municipal de Música, onde fiz composição, contraponto, estudo formal, e depois pra Orquestra Jovem Municipal, grupos de câmara, e tb para a música popular, para as bandas de baile, o Sossega Leão e os Heartbreakers. Mas naquele momento de dúvida dos 18 anos, acabei indo estudar Geologia na USP, onde fiquei somente 2 anos. Depois do violão, ainda criança eu toquei cavaquinho em grupos de choro, e estudei até um pouco de violão clássico com o Henrique Pinto. A guitarra eu comecei a ter aulas bem jovem, ainda em Poços de Caldas. Em São Paulo toquei com grupos amadores, e bem mais tarde, já vivendo como produtor, toquei guitarra com o Karnak.

5) As suas influências?

Depois que ganhei minha primeira guitarra aos 12, comecei estudar e me aprofundar. E ainda na cola dos irmãos, pelo William veio o interresse pelos Beatles, Creedence, America, Yes, e pelo Arlei o interesse pelos clássicos. E somando os dois fiquei um tempo fã do Rick Wakeman, sempre gostei das misturas. Assim mantive, nunca me decidi muito. Estudei os clássicos e gosto muito da música do início do século passado, Debussy, Ravel, Fauré. No violão adorava Dilermando Reis e Baden Powell. Adoro criatividade, não me ligo muito em seguir um padrão. Mas talvez tenha me estabelecido mesmo como produtor porque nunca me decidi do que realmente gosto. Na verdade gosto de muita coisa, desde musica regional brasileira, até eletrônicos experimentais, com tudo o que tiver no meio.

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6) Quanto tempo você pratica a música?

Já pratiquei muito, pois o trompete é um instrumento difícil e ingrato, vc perde a tonicidade da musculatura se deixa de tocar. Eu tive um sério problema com os dentes e tive que deixar o instrumento de lado por um bom tempo. Foi quando me aproximei da produção e voltei pra guitarra. Hoje pratico muito pouco. Uso os instrumentos pra compor, mas se tem uma parte complicada eu sempre chamo os amigos especialistas.

7) Quais instrumentos você toca?

De formação o trompete, foi de verdade o único do qual vivi por cachê, na noite, ou nas orquestras. Cavaquinho aprendi tocando, depois de ter estudado violão clássico e guitarra. Uso o piano e o teclado pra compor, pela visualização e pela tessitura, mas o cerne das músicas às vezes está ligado ao instrumento que vc usa. Às vezes uma composição vem simplesmente da escolha de um loop no computador, que também é um instrumento. Às vezes vem uma frase na cabeça no trânsito, ou no banho, como foi o caso de “Bossa Nova, Né?” Meu instrumento principal é a curiosidade.

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Cover by Guilherme Aranega

8)Quais são os gêneros de música que você gosta mais?

Como te falei, tenho um sério problema em definir isto. Ontem ouvi Caymmi depois de muitos anos, e amo a simplicidade e profundidade da música dele. Antes de ontem estava ouvindo Kraftwerk, e adoro o que faziam. Quando lancei o Orchestra Electromagnética, eu pensava em torná-lo mais eletrônico por esta influencia, mas ao chamar os primeiros amigos pra participar, não consegui parar e chamei 25 deles. Troquei a big band eletrônica por músicos de carne e osso. Pois não consegui fixar nenhum gênero, nenhuma forma clara pro projeto. Adoro as participações, as influências que cada um traz. Até por isso incluí “Le Bizarre Circus Muzik” no título.

9)Quem é o seu músico ou compositor favorito? Por que?

De verdade não tenho. Sou capaz de ficar tomado por uma série simples de acordes de uma banda indie como Radio Dept. ou ainda me enlevar pelo Poema do Êxtase do Scriabin. Não consigo acompanhar as tendências. Pelo trabalho de produtor, prefiro ficar ligado em tudo, e ouvir muitas referências. Não deixo o meu gosto pessoal pesar tanto. Com o triste passamento do Chris Squire eu ouvi novamente um tanto do Yes, num momento da vida foi minha banda preferida. Mas não deve ter durado muito, logo já me interessei por outra, sem gostar de deixar da primeira. Gosto muito de trilhas sonoras, e se for pra citar um compositor, citaria Bernard Hermann.

10) Qual é a sua canção favorita de todos os tempos? Existe?

Olha, não acho que exista. Há um ano eu amava Where Are We Now by David Bowie, lembrei que já gostei muito de músicas lentas e meio tristes. Mas hoje acho que Close To the Edge ocupa um lugar de destaque. Amanhã, com certeza será outra.

11) O futebol. Pra quem você torce? Por que?

Cresci em Poços de Caldas e treinei um pouquinho no Caldense, por quem guardo essa lembrança e um carinho.

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12) Pra onde gostaria de viajar? Por que?

Para Angor Vat, pois me fascina. Mas acho que sou preguiçoso, e iria muitas vezes novamente pra Europa.


13) A comida. Qual é o seu prato favorito?

Cara, depois de tantas questões tentando definir o gosto principal em música, vc está me fazendo perceber que gosto de tanta coisa, em tantos gêneros diferentes, que não sou realmente normal. Não consigo definir o que gosto mais, adoro chocolate, mas é comida?

14) O cinema. Quem são os seus diretores favoritos?

Haha, la vem vc! Bom, eu gosto de Bergman, Allen, Spielberg, Almodóvar, Fellini, Hitchcock, Wes Anderson, os irmãos Wachovsky, vixe, sempre vai faltar alguem que amo!

15) O seu novo disco Orchestra Electromagnética é uma bela obra. Ao meu ver, parece mais “cinematica”, como uma trilha sonora, em comparação com seu lançamento anterior, Bossa ElectromagnéticaFoi essa a intenção?

Obrigado pelo “bela obra”. Acho que ele foi mais autêntico comigo mesmo do que o Bossa. O Bossa foi um briefing que dei pra mim mesmo: quero fazer um trabalho de bossa eletrônica, pois gosto das duas coisas. Foi simples, e ficou pronto, na loja, em meio ano. No caso do Orquestra, eu tentei colocar um pouco de muitas coisas que me intrigam, que me desafiam, que não são muito comuns, que vc não escuta nos discos, mas como vc falou, são elementos das trilhas sonoras, ou de uma música mais visual que tenta expressar imagens. Vi que estava virando um tipo de circo, com personagens estranhos e com muitas referências visuais. Tem uma forte dose de humor. Por isto demorou tanto, não tinha pressa ou objetivo claros. Pra mim ele não se completa somente no som, e depende de cada uma das referências que coloquei na capa, nas caricaturas, no texto dos Loopieri, uma banda imaginária formada pelos colegas do estúdio. É um recorte de várias coisas que passam pela minha cabeça e principalmente pela minha emoção. Quis muito expressar coisas que senti, como a experiência com o tantra que coloquei em Tantra. Pra mim ele é uma experiência, não são músicas soltas pra vc colocar numa playlist, ele é um álbum pra se ouvir inteiro, vendo a capa, lendo as letras, se sentindo numa ida a um circo bizarro.

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16) Você mencionou que seus colegas de estúdio nomearam-se para este projeto – i Loopieri. O que significa esse nome? Por que o escolheram?

“Loop” em música significa voltar e repetir, uma sequencia q se repete, e “ieri” é “o q trabalha com”, num italiano inventado.

 

17) “Tema de Batman” por Célio Balona. Rocco gostou. Você gostou?

Haha, acabei de ouvir. Divertida releitura. Tendo a gostar de tudo q sai um pouco dos padrões. Não conhecia o trabalho do Célio, deu vontade de conhecer mais. E adoro que Rocco busca fora do mainstream as pérolas independentes!

18) É que o seu foco principalmente em trilhas sonoras para TV e filmes?

Sim, a trilha sonora sempre me fascinou e no início foi o que mais me motivou a estudar composição. Eu pensava em compor para uma cena, mais do que para um grupo. Sem planejar, foi isso que acabou acontecendo ao me tornar compositor e produtor. Imaginava que eu seria hoje um trompetista da Orquestra e pronto. Mas acho que minha inquietação me move mais do que tudo. Sempre tem algo novo a ser feito ou descoberto. Acabei de receber um instrumento que contribuí em crowdfunding, o Jamstick. Quero ver as possibilidades que me dá. Talvez o use no CD de 25 anos do Karnak. Me instiga mais do que saber que vou tocar guitarra ou trompete.

PLAYLIST: A selection of Luiz Macedo’s music in video. Enjoy.

19) Tem projetos no futuro do que você gostaria de falar?

Penso em concluir o projeto do Orquestra com um espetáculo que misture muitas artes. Me envolvi com teatro e performance, como tentativa de me expressar de outras formas além da música. Produzi alguns dos videos para as músicas e esse processo ainda continua. A minha produtora, Juke! agora tem outros sócios e me libera pra me engajar mais nos projetos culturais e vou aproveitar o momento.

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20)Bossa Nova, né?

Sempre nova, sempre né!

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